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Saúde mental é essencial para uma produtividade sustentável

Na Master Talk do 19º CONPARH, a jornalista Izabella Camargo alertou para os riscos do excesso de trabalho e destacou a importância de respeitar os limites, reconhecer os sinais de esgotamento e transformar o cuidado em parte da rotina profissional

 Atingir metas, cumprir prazos e entregar resultados faz parte da rotina profissional. Mas até que ponto vale a pena manter esse ritmo? Essa foi uma das reflexões propostas pela jornalista e comunicadora em saúde mental no trabalho Izabella Camargo, durante a Master Talk “Produtividade sustentável: como bater meta sem bater nas pessoas e adoecer”, realizada no 19º CONPARH.

Ao longo da apresentação, Izabella chamou a atenção para um comportamento comum no ambiente profissional: a tendência de ignorar os sinais de cansaço e acreditar que sempre é possível fazer mais. Para ela, o excesso de confiança pode levar as pessoas a ultrapassar os próprios limites. “Nós estamos adoecendo por excesso de confiança”, alertou, ao destacar a importância de reconhecer quando é hora de parar e rever prioridades.

Os sinais de alerta

Segundo Izabella, dores de cabeça frequentes, alterações no sono, irritabilidade, lapsos de memória, queda de cabelo e crises de ansiedade podem ser sinais de que algo não vai bem. Em vez de tratar esses sintomas como normais ou fazer piada com eles, é importante prestar atenção e buscar ajuda quando necessário. “A dor está querendo te mostrar alguma coisa”, observou, ao defender que o cuidado comece antes que o problema se agrave.

Também reforçou que o trabalho, por si só, não é o responsável pelo adoecimento. Um ambiente respeitoso, organizado e que permita às pessoas desenvolver seus talentos pode contribuir para a saúde e o bem-estar. O problema está no excesso de trabalho, na falta de organização e nas relações tóxicas. Por isso, alcançar resultados não deve significar sacrificar a saúde dos profissionais.

Cuidado no dia a dia

 Entre as reflexões propostas pela palestrante está a necessidade de reservar tempo para cuidar de si. “Sono de qualidade, alimentação equilibrada, atividade física, higiene pessoal e momentos de lazer são hábitos importantes para preservar a saúde física e mental. E fazer pausas, respirar, observar as próprias emoções e rever prioridades diante das mudanças da vida”.

O cuidado, no entanto, não pode depender apenas de iniciativas individuais. Izabella defendeu que as empresas também assumam sua responsabilidade, criando ambientes mais seguros e atentos à saúde mental. A escuta dos trabalhadores, a análise de indicadores como afastamentos, rotatividade e pedidos de demissão, além da identificação de fatores que provocam estresse, podem ajudar as organizações a prevenir problemas. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a importância de olhar para os riscos psicossociais no trabalho.

A palestrante destacou a importância de gestores de recursos humanos, ou melhor, líderes e organizações, compreenderem o impacto da educação voltada ao autocuidado. “Quando você educa o seu funcionário para que ele trabalhe o autocuidado, ele falha e falta menos com a família e com o trabalho”.  Enfatizou que os resultados dessa prática geram maior engajamento e redução de afastamentos. “O que a educação em saúde mental provoca no seu negócio é que ele falha e falta menos, por isso que é mais engajamento, menos afastamento”.

“Não menospreze o tempo”

​A jornalista reforçou que a priorização pessoal é determinante para a rotina: “Quando você se inclui na própria agenda, você dá conta dela. Agora, quando você se deixa para depois, você tá dormindo e indo no banheiro quando sobra”. Pontuou que “o tempo não tá contra nós. Precisamos fazer uma faxina e redesenhar nosso tempo. Cuidar da gente, extrair o que está afetando a nossa saúde mental. Não dá para a gente menosprezar o tempo. Saúde mental e individual, diária e intransferível. Mas isso não vem de fábrica. Temos que ensinar. A gente precisa se cuidar, só assim poderemos mudar o status das coisas. Você é a melhor pessoa”.

Ao encerrar a apresentação, Izabella deixou uma mensagem que resume o desafio da produtividade sustentável. “É preciso cuidar das pessoas para manter os resultados ao longo do tempo. Isso exige que líderes reconheçam os próprios limites, escutem suas equipes e revejam comportamentos que favorecem a sobrecarga. Afinal, descansar não é sinal de fraqueza, assim como pedir ajuda não diminui a competência de ninguém. Não existe resultado sustentável quando as pessoas estão adoecidas”, concluiu Izabella.

 

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios