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Felicidade é uma construção interna e exige relações saudáveis e bem-estar

No 19º CONPARH, Gustavo Arns e Henrique Bueno discutem o papel das escolhas individuais, da liderança humanizada e das organizações na promoção do bem-estar e da saúde mental no trabalho

A felicidade no ambiente profissional depende de uma combinação de escolhas individuais, relações saudáveis e condições de trabalho que favoreçam o bem-estar. Esse foi o ponto central do Talk Simultâneo “Felicidade como essência da humanidade: saúde organizacional em tempos de incerteza”, que reuniu Gustavo Arns e Henrique Bueno, com mediação de Hilgo Gonçalves, durante o 19º CONPARH.

Especialista em ciência da felicidade, Gustavo Arns destacou que o bem-estar não é algo passivo, condicionado apenas às circunstâncias externas, mas uma capacidade que pode ser desenvolvida. Autocuidado, autoconhecimento e atenção à saúde física, emocional e mental fazem parte desse processo. “A felicidade precisa ser uma construção interna”, afirmou. Para ele, os períodos de incerteza também podem contribuir para o desenvolvimento da resiliência e da força emocional.

 O papel das empresas

Embora reconheça a responsabilidade de cada pessoa sobre suas escolhas, Arns ressaltou que as organizações precisam oferecer condições dignas e saudáveis para que os profissionais possam prosperar. “Sentir-se reconhecido, respeitado e tratado como ser humano faz diferença, especialmente em um cenário de crescente preocupação com a saúde mental. O RH tem papel estratégico ao levar o tema para a agenda corporativa e transformar o discurso em práticas concretas.”

Arns também chamou a atenção para os desafios da formação de novas lideranças. Segundo ele, as novas gerações demonstram menor interesse em assumir cargos de gestão, o que exige uma revisão dos modelos tradicionais de liderança. A ciência da felicidade, associada à psicologia positiva e à neurociência, pode contribuir para essa transformação, com ferramentas e práticas que ajudem a construir ambientes mais humanizados.

Atenção às escolhas

Henrique Bueno complementou a discussão ao defender uma visão mais ampla do bem-estar, que considere a vida como um todo, e não apenas a carreira ou as conquistas profissionais. Para ele, “a felicidade não deve ser vista como um objetivo distante, condicionado a uma promoção ou a um salário maior, mas como uma construção cotidiana, baseada no protagonismo individual e na capacidade de encontrar sentido mesmo em momentos difíceis”.

A relação com a tecnologia também entrou em pauta. O excesso de tempo diante das telas, a dificuldade de desconexão e a perda de espaço para o tédio e o ócio podem comprometer a saúde mental e a capacidade de sentir prazer. Bueno propôs “pequenas mudanças de comportamento, como observar os momentos em que se recorre ao celular, rever o uso de aplicativos e refletir sobre aquilo que recebe a atenção ao longo do dia”.

O trabalho, por sua vez, não precisa ser encarado como vilão. “Embora ambientes tóxicos possam provocar adoecimento, a atividade profissional também pode ser fonte de propósito, realização e pertencimento. A responsabilidade deve ser compartilhada entre a alta gestão, que precisa colocar a saúde mental na agenda estratégica; as lideranças, que têm papel decisivo na transformação da cultura; e os próprios profissionais, que podem desenvolver hábitos mais saudáveis e fortalecer o autocuidado.”

Ao encerrar a reflexão, Arns e Bueno reforçaram que felicidade não significa viver sem dificuldades, mas aprender a fazer escolhas que tornem a experiência cotidiana mais significativa. “Ao criar ambientes seguros e investir no desenvolvimento humano, as empresas também podem colher resultados em engajamento, produtividade e sustentabilidade”, pontuou Bueno. “Afinal, cuidar das pessoas não é apenas uma iniciativa de bem-estar, mas parte da construção de organizações mais saudáveis e preparadas para enfrentar as incertezas”, acentuou Arns.

 

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios