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Liderança exige evolução contínua

Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil, destacou a importância do autoconhecimento, do alinhamento estratégico e das conversas difíceis para desenvolver equipes e melhorar resultados

 Encontrar o próprio lugar de potência na carreira exige mais do que conhecimento técnico ou títulos. É preciso reconhecer as habilidades individuais, compreender as necessidades da organização e transformar conhecimento em resultados. Essa foi uma das reflexões de Ricardo Basaglia, CEO da Michael Page Brasil, durante Master Talk da 19ª edição do CONPARH, na dimensão Cultura e Aprendizagem. Para ele, liderar com eficiência significa gerar valor concreto e sustentável para a empresa.

Basaglia recomendou que os profissionais revejam a maneira como enxergam o trabalho e as relações corporativas. “Embora conceitos como feedback, desenvolvimento de equipes e planejamento sucessório sejam amplamente conhecidos, colocá-los em prática continua sendo um desafio. Na rotina, urgências e imprevistos podem afastar os gestores das boas práticas. Por isso, a sugestão é questionar modelos mentais, rever hábitos e buscar novas perspectivas para lidar com situações cotidianas”.

O autoconhecimento também precisa ser acompanhado de mudanças concretas de comportamento. Segundo o palestrante, o avanço tecnológico não foi acompanhado pelo mesmo ritmo de evolução nas relações humanas. “Reconhecer as próprias dificuldades, portanto, deve servir como ponto de partida para melhorar, e não como justificativa para repetir erros. Se você concorda [com o diagnóstico], tem que ser ponto de partida para evoluir, não uma justificativa para você continuar errando”, afirmou.

 Combata a arrogância

Outro conselho foi manter a disposição para aprender. Basaglia destacou que as mudanças acontecem por convicção, conveniência ou constrangimento e desafiou os profissionais a refletirem sobre o que aprenderam nos últimos 12 meses que realmente fez diferença em suas carreiras. Mais do que acompanhar novidades, como a inteligência artificial, é importante desenvolver habilidades comportamentais e aprimorar a capacidade de liderar. “O que mais destrói a carreira de um profissional chama-se arrogância”, alertou, ao lembrar que a dificuldade de ouvir os outros e reconhecer que ainda há o que aprender pode limitar o crescimento.

Para reduzir desperdícios e melhorar resultados, Basaglia também recomendou verificar se os principais executivos estão alinhados sobre os objetivos da empresa. Ele citou uma pesquisa realizada com mais de 200 companhias nos Estados Unidos, na qual os dez principais executivos de cada organização foram questionados sobre as cinco prioridades do negócio. Segundo os dados apresentados, o desalinhamento foi expressivo na média geral, enquanto as empresas mais rentáveis demonstraram maior convergência entre suas lideranças.

Cuide da cultura

A cultura organizacional também depende das atitudes que a liderança aceita no dia a dia. Mais do que discursos e valores expostos nos corredores, são os comportamentos tolerados que mostram aos profissionais quais limites podem ser ultrapassados. Basaglia destacou quatro momentos decisivos para consolidar essa cultura: contratação, feedback, demissão e promoção. “A recomendação é garantir coerência entre o que a empresa defende e as decisões que toma, reconhecendo atitudes positivas e enfrentando condutas que prejudicam o ambiente de trabalho”, acentuou.

Para desenvolver talentos, o líder precisa ir além da cobrança por resultados e criar condições para que as pessoas entreguem seu melhor. Isso inclui oferecer feedbacks claros, abordar conflitos e tratar de assuntos que costumam ser adiados. “O tamanho da sua carreira é limitado pelas conversas que você evita”, afirmou Basaglia. Ele também destacou que “a necessidade de estar certo jamais pode ser maior do que buscar o que é certo”. A orientação é “priorizar o diálogo construtivo, corrigir problemas sem desconsiderar as pessoas e manter o foco no desenvolvimento da equipe”.

 

Ao concluir, Basaglia reforçou a importância de avaliar como o tempo é distribuído entre as funções de especialista, gestor, treinador e líder. Para atuar no próprio lugar de potência, é necessário sair da postura reativa, definir prioridades e conduzir mudanças de forma intencional. “A liderança combina clareza estratégica, disciplina na execução e desenvolvimento das pessoas. O objetivo é alcançar resultados consistentes sem depender do esgotamento da equipe, criando condições para que profissionais e organizações evoluam juntos”.

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios