No 19º CONPARH, Alexandre Mariath e Samantha Franco destacaram a transparência, a empatia e o reconhecimento das próprias fragilidades como caminhos para construir relações de confiança e equipes mais humanas
O Talk Simultâneo, da dimensão Liderança Humanizada, com o tema “O líder vulnerável: força na transparência e na verdade”, reuniu Alexandre Mariath e Samantha Franco no debate sobre a desconstrução da figura do “líder herói”, inabalável e detentor de todas as respostas. No encontro, mediado por Luiz Omar Gabardo, eles apontaram que tentar manter essa máscara de infalibilidade em tempos de incerteza corrói a confiança dos times e afasta os executivos da realidade operacional da empresa.
Samantha Franco destacou que a vulnerabilidade exige coragem, especialmente em ambientes nos quais demonstrar fragilidade ainda é visto como sinal de fraqueza. Ao compartilhar uma experiência marcante, contou que, durante uma viagem a Buenos Aires, perdeu um dente da frente na véspera de uma apresentação estratégica internacional. Mesmo diante do imprevisto, decidiu manter o compromisso. A reação dos executivos que acompanharam a apresentação mudou sua percepção sobre o tema e mostrou que expor as próprias dificuldades pode aproximar as pessoas. “A vulnerabilidade conecta as pessoas e transforma as relações de confiança”, ressaltou.
Ela relembrou a experiência vivida durante a pandemia de Covid-19, quando criou com a equipe um ritual de conversas matinais de meia hora, dedicado não apenas ao trabalho, mas também aos sentimentos e às dificuldades de cada um. O espaço de escuta e acolhimento fortaleceu os vínculos e ampliou o apoio mútuo em um período de incertezas. Reconhecer os próprios limites, saber quando pedir ajuda e ter generosidade para compartilhar experiências são atitudes que humanizam a liderança. Afinal, dar o primeiro passo exige coragem e pode inspirar outras pessoas a fazer o mesmo, construindo relações mais próximas e equipes capazes de enfrentar desafios coletivamente”.

Alexandre Mariath defendeu a importância de romper o tabu de que líderes precisam demonstrar força o tempo todo, sem espaço para emoções, dúvidas ou fragilidades. “Reconhecer a própria vulnerabilidade é um exercício de autoconhecimento e humildade, que permite aprender com os erros e compreender melhor as pessoas. Vulnerabilidade gera empatia e conexão”, destacou. Segundo ele, quando as organizações oferecem ambientes seguros, os profissionais se sentem mais à vontade para expressar sentimentos, compartilhar dificuldades e construir relações de confiança. “Por trás de todo CNPJ, tem um CPF”, lembrou, ao reforçar que as empresas são feitas de pessoas e precisam valorizar a dimensão humana.

Em tempos de inteligência artificial, Mariath ressaltou que a humanização se torna um diferencial da liderança, sobretudo diante do risco de as pessoas se tornarem cada vez mais mecânicas nas relações. Como exemplo, relatou uma experiência que teve como gestor em um hospital durante a pandemia de Covid-19, quando o medo e a falta de informações também afetavam os médicos. “Ao reconhecer a vulnerabilidade da equipe, foi aberto espaço para a empatia e o acolhimento, demonstrando que admitir dificuldades não enfraquece a liderança, mas pode fortalecer os vínculos e a capacidade de enfrentar desafios coletivamente”.
Texto: Básica Comunicações
Fotos: A6 Estúdios