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Ana Minuto defende a inteligência humana como diferencial na era da IA

Na Master Talk do CONPARH, especialista destacou que a transformação digital depende de mudanças na cultura organizacional, no modelo de liderança e na capacidade de desenvolver relações humanas

A inteligência artificial (IA) amplia a produtividade, agiliza processos e transforma o mundo do trabalho. Mas, para aproveitar seu potencial, as empresas precisam olhar além da tecnologia e investir no desenvolvimento das pessoas. Essa foi a principal reflexão de Ana Minuto, fundadora da Minuto Consult Hol Empresarial e especialista em diversidade, equidade, inclusão, cultura organizacional e futuro do trabalho, durante a Master Talk “Humanidade aumentada – a IA como parceira do talento humano”, no 19º CONPARH.

Ao compartilhar sua trajetória profissional, marcada por mudanças e experiências empreendedoras, Ana ressaltou que a capacidade de se reinventar é essencial em um cenário de transformações constantes. “Eu acredito que é um dos papéis mais desafiadores que eu enfrentei durante toda a minha vida: empreender”, afirmou. Para ela, a própria relação com a tecnologia exige uma mudança de mentalidade, já que a inteligência artificial está presente em diversas situações cotidianas. “Tudo tem inteligência artificial”, pontuou, ao provocar o público a refletir sobre a influência dos algoritmos nas escolhas e nos comportamentos.

Diante da velocidade das inovações, a especialista propôs uma questão central: como preservar a humanidade em um mundo cada vez mais automatizado? Para Ana, a resposta passa pela capacidade de reconhecer e acolher as próprias emoções, inclusive as mais difíceis, como a raiva, a tristeza e a frustração. “O quanto eu não quero me sentir frustrado ou frustrada? O quanto eu não quero sentir raiva? O quanto eu quero que dê tudo certo? Gente, a vida vai dar tudo certo sempre?”, questionou. A reflexão reforçou a importância de desenvolver a empatia e a inteligência emocional, competências que se constroem nas relações entre as pessoas.

Cultura e liderança

No ambiente corporativo, a transformação digital também exige uma revisão das práticas de gestão. Ana citou uma pesquisa do Boston Consulting Group (BCG), segundo a qual 70% das empresas não teriam alcançado a transformação digital em inteligência artificial da maneira desejada. Na avaliação da especialista, uma das dificuldades está na adoção de ferramentas sem compreender as necessidades das equipes ou preparar os profissionais para utilizá-las. O excesso de soluções, somado à pressão por resultados e ao receio de não acompanhar as mudanças, pode aumentar o estresse e comprometer a saúde mental dos trabalhadores.

Para enfrentar esse cenário, as lideranças precisam rever modelos baseados no controle e abrir espaço para a experimentação, a escuta e a construção coletiva. “Quem tem medo de errar aqui? Isso paralisa a gente ou não? Isso faz com que a gente não caminhe, porque a gente sempre tá querendo acertar, sempre tá querendo que dê certo”, provocou. A especialista também destacou que colaboração não significa apenas dividir tarefas, mas incorporar diferentes perspectivas às decisões. “A colaboração tá em criar em conjunto, a colaboração é trazer para mesa outras vozes, a colaboração é a gente estar disponível para ouvir outras pessoas”, explicou.

 Aprender sempre

A adaptação às novas tecnologias depende, ainda, de uma postura permanente de aprendizagem. Segundo Ana, a formação profissional já não pode ser vista como uma etapa encerrada com a conclusão da faculdade. “Hoje, se a gente não tiver disponível para aprender, reaprender e aprender novamente, através desse aprendizado, dessa aprendizagem contínua, a gente vai ter dificuldade de se manter no mercado e até a gente de manter relacionamento, porque é isso, o mundo está evoluindo e as relações também”, afirmou. Nesse processo, o pensamento crítico precisa caminhar ao lado da inteligência emocional, da comunicação, da criatividade, da empatia, da adaptabilidade e do discernimento ético.

A inclusão também foi apontada como condição para ampliar o repertório e preparar as organizações para o futuro. “Nós precisamos conversar com pessoas que não acreditam no que a gente fala e que a gente também não acredita no que elas falam, mas a gente precisa aprender a argumentar”, destacou. Ana alertou que o avanço da IA pode ampliar desigualdades quando o acesso à tecnologia, à informação e às oportunidades de desenvolvimento não é o mesmo para todos. Por isso, defendeu que as empresas considerem a diversidade de experiências e perspectivas ao incorporar novas soluções.

Ao encerrar a apresentação, a especialista reforçou que a inteligência artificial deve ser utilizada para ampliar as capacidades humanas, e não para substituir o cuidado com as relações. “A IA já não é mais só ferramenta, gente. A IA é a nossa vida”, afirmou, ao defender o uso estratégico da tecnologia para agilizar tarefas e liberar tempo para atividades que exigem julgamento, criatividade e interação.

Para os profissionais de Recursos Humanos, deixou uma responsabilidade especial. “Entender que nós, enquanto RH, temos um papel crucial de clonar e manter as relações humanas”. A mensagem final foi um convite a equilibrar inovação e humanidade, reconhecendo que a tecnologia pode acelerar o trabalho, mas são as pessoas que dão sentido às escolhas e constroem relações de confiança.

 

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios