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19º CONPARH aborda o desafio da educação corporativa de transformar teoria em prática diária

Em painel mediado pelo presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, especialistas defendem que a capacitação continuada exige líderes engajados e ambientes que cultivem o desenvolvimento humano

O Talk Simultâneo da Cultura e Aprendizagem reuniu lideranças para debater o tema “Educação com sentido: aprendizagem alinhada ao propósito coletivo”. Com moderação do presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade, os especialistas Leonardo Queiroz e Adriana Karam falaram sobre aprendizagem e conhecimento. Diante do avanço acelerado da tecnologia e da abundância de informações, os painelistas alertaram que o modelo tradicional de treinamento precisa se reinventar urgentemente para superar o mero repasse de conteúdos técnicos desconectados da realidade.

Para Leonardo Queiroz, o cenário atual exige uma mudança profunda na forma como as empresas abordam a capacitação de suas equipes. “As pessoas hoje estudam ao invés de aprender. O conteúdo está disponível para todos, mas a grande questão é como colocá-lo em prática. As empresas precisam mudar urgentemente a forma como conduzem o treinamento de suas equipes”, avaliou. Enfatizou que a verdadeira eficácia está na aplicabilidade contextualizada e no alinhamento do propósito individual com a cultura organizacional.

Na mesma linha, Adriana Karam destacou que a formação diária não pode ser tratada como responsabilidade exclusiva dos departamentos de Recursos Humanos. “É fundamental que a aprendizagem e o conhecimento não estejam desconectados dos afazeres diários das pessoas. Muitos acreditam que aprender é apenas receber informação, mas isso é só o ponto de partida”, pontuou. Para ela, a liderança desempenha um papel crucial no ambiente de trabalho para garantir que o conteúdo teórico se consolide na rotina e se transforme em competências reais.

A integração do aprendizado no dia a dia exige, segundo Adriana, acompanhamento de longo prazo e superação da correria diária que costuma soterrar o desenvolvimento individual. “A palavra é desenvolvimento: você desenvolve, você faz uma transformação ao longo de um tempo. E para fazer essa transformação ao longo do tempo, tem que ter uma intencionalidade”, afirmou. E reforçou que a mudança comportamental efetiva depende de incentivos, reflexão e suporte constantes nos intervalos entre treinamentos e nas tarefas diárias dos profissionais.

A abordagem humanizada da gestão de pessoas também foi um dos pontos altos do debate, quando Queiroz usou uma analogia agrícola para criticar a cobrança por resultados mecânicos. “Precisamos tratar pessoas como algo vivo, e não como cimento”, defendeu. Ele alertou que não basta apenas entregar treinamentos esperando resultados automáticos: “A gente cultiva um ambiente para que ela possa crescer e depois trazer o morango. E o que é que vai trazer a produtividade daquele ser vivo? Como eu trato o ambiente?”.

Por fim, o painel reforçou a importância do alinhamento entre a motivação individual e as metas estratégicas corporativas. Para Queiroz, a gestão moderna deve centralizar a oferta de infraestrutura técnica e recursos, mas descentralizar a responsabilidade pelo aprendizado, permitindo entender os desafios únicos de cada colaborador. Da mesma forma, Adriana relembrou que a motivação do indivíduo é a premissa central de qualquer metodologia de ensino, resumindo: “Eu não aprendo aquilo que eu não quero aprender”.

 

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios