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IA pode transformar a educação corporativa, mas precisa estimular o pensamento crítico e o desenvolvimento de competências

Bruno Fernandes e Stephan Yunes, conduzidos pelo vice-presidente Financeiro e de Mercado da ABRH-PR, Luís Humberto de Quental, defenderam, no 19º CONPARH, que a inteligência artificial vá além da produtividade e contribua para o desenvolvimento dos profissionais

A inteligência artificial pode transformar a Educação Corporativa, desde que seja utilizada não apenas para automatizar tarefas, mas também para estimular o pensamento crítico, a prática e o desenvolvimento de competências. Esse foi o ponto central do Talk Simultâneo da dimensão Tecnologia e IA, com o tema “Integração entre tecnologia e aprendizagem: IA como parceira da Educação Corporativa”, realizado durante o 19º CONPARH.

O debate reuniu Bruno Fernandes e Stephan Yunes, com mediação de Luís Humberto de Quental, vice-presidente Financeiro e de Mercado da ABRH-PR. Foi discutido como incorporar a tecnologia à rotina das empresas sem comprometer a autonomia intelectual e a capacidade de análise dos profissionais.

Ferramenta de produtividade

Para Bruno Fernandes, a IA já funciona como uma importante ferramenta de produtividade, mas seu potencial para a aprendizagem ainda está longe de ser plenamente explorado. “Eu acho que a IA pode contribuir muito mais para o desenvolvimento de competência, para a aprendizagem de fato e não só para a produtividade”, afirmou. Segundo ele, o desafio é avançar para experiências personalizadas, capazes de atender às necessidades de cada profissional e, ao mesmo tempo, alcançar um grande número de pessoas.

Essa mudança exige rever os modelos tradicionais de capacitação. Em vez de oferecer apenas plataformas com cursos e conteúdos padronizados, as empresas precisam conectar a aprendizagem aos desafios reais do negócio. Para isso, é fundamental identificar as competências necessárias à organização, compreender as habilidades de cada profissional e criar oportunidades para que elas sejam desenvolvidas na prática.

Fernandes também destacou a importância da cultura organizacional nesse processo. A IA amplia as possibilidades a partir das informações e orientações que recebe, mas os resultados dependem dos valores, dos princípios e dos objetivos que direcionam seu uso. Por isso, a tecnologia precisa estar alinhada à estratégia da empresa e contar com a participação integrada de recursos humanos, tecnologia da informação e liderança executiva.

 Desenvolver competências

Stephan Yunes reforçou que a personalização da aprendizagem não significa tornar o processo mais fácil. Para desenvolver competências, é necessário enfrentar desafios, formular hipóteses, praticar e justificar decisões. A IA pode criar simulações, adaptar atividades e oferecer feedback imediato, mas não deve substituir o esforço intelectual que faz parte do aprendizado. Ele também alertou para o risco de os profissionais se acostumarem a aceitar respostas prontas, sem questionar sua qualidade ou suas premissas. “Personalizar não é facilitar”, destacou. “A inteligência artificial deve ampliar a capacidade cognitiva das equipes, estimulando o raciocínio e o pensamento crítico, em vez de assumir o papel de quem toma decisões”.

O talk também discutiu a responsabilidade de cada área na transformação digital. “Enquanto o RH deve mapear as competências e orientar as ações de recrutamento, treinamento e desenvolvimento, a TI precisa garantir infraestrutura, segurança e governança. Já os líderes de negócio têm o papel de levar as estratégias para o cotidiano das equipes, com orientação, feedback e acompanhamento contínuo. O patrocínio da alta gestão é essencial para dar sustentação às iniciativas”, opinou Yunes.

Tecnologia integrada ao trabalho

“Os resultados da Educação Corporativa devem ser avaliados por indicadores ligados ao desempenho da organização, e não apenas pela quantidade de cursos realizados ou pela satisfação dos participantes”, pontuou Yunes. “Com a ajuda da IA, as empresas podem acompanhar melhor os efeitos das ações de aprendizagem e identificar oportunidades de melhoria”, completou Fernandes. “A perspectiva é que a tecnologia esteja cada vez mais integrada ao trabalho, apoiando tarefas repetitivas e criando cenários para a prática, enquanto competências como ética, discernimento, coragem e capacidade de estabelecer vínculos continuam exigindo a contribuição humana”, observou Yunes.

Yunes alertou que o desafio das empresas é construir uma relação complementar entre inteligência artificial e inteligência humana. “Quando integrada à cultura, à estratégia e às necessidades reais do negócio, a tecnologia pode tornar a aprendizagem mais personalizada e contínua”. Para Fernandes, mais do que ampliar o acesso ao conhecimento, “a Educação Corporativa precisa ajudar as pessoas a desenvolver competências e gerar resultados concretos para as organizações”.

 

Texto: Básica Comunicações

Fotos: A6 Estúdios